Culturas

Solos do Meio Oeste dos EUA estão perdendo fertilidade

O produtor norte-americano investe muito em fertilizantes, mas não está conseguindo fazer a reposição adequada de nutrientes ao solo. A afirmação surpreendente foi feita pelo consultor brasileiro Amilcar Centeno durante palestra em Champaign (região de Chicago) a um grupo da Cocamar Cooperativa Agroindustrial (de Maringá/PR) em viagem pelos Estados Uindos.

Centeno comentou em sua palestra que os níveis de fósforo e potássio estão caindo, o que obriga os agricultores a gastarem cada vez mais, mas sem conseguir recuperar fertilidade. O efeito disso é que 47% dos rios apresentam excesso de fósforo e 53% uma quantidade além da conta de nitrogênio. Com mais de 30 anos de experiência, Centeno já atuou em importantes companhias do setor, entre as quais a John Deere.

Um dado relevante é o de que só 10% dos agricultores norte-americanos fazem plantio direto. Isto porque a janela para o plantio é curta e ocorre logo após o inverno. A exemplo do que aconteceu neste ano, os produtores de diversas regiões tiveram que remover a superfície gelada do solo para aquecê-lo e conseguir plantar. A uma temperatura inferior a 10 graus centígrados, as sementes não germinam. Por outro lado, os resíduos da cultura do ciclo anterior não se decompõem, o que dificulta o plantio direto.

O professor Cássio Tormena, especialista em solos do departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), explica que, enquanto os produtores brasileiros estão construindo a fertilidade dos solos em suas propriedades, os norte-americanos precisam drenar as extensas planícies do Meio Oeste para eliminar o excesso de água.

De acordo com Tormena, a superfície é rica em matéria orgânica (entre 5 e 6 por cento) – com cerca de um metro de espessura –, e há bom nível de fertilidade natural. No entanto, o agricultor dos EUA pode estar esgotando gradativamente a fertilidade do solo em alguns nutrientes.

Por isso é que, quando falta chuva (como agora), o solo apresenta rachaduras. No Brasil, os solos agricultáveis são pobres, com modesta camada de matéria orgânica. Entretanto, como o lençol freático é próximo da superfície, os produtores do Meio-Oeste enfrentam um dilema: a lixiviação de nutrientes, fator que somado à necessidade de drenagem quando ocorre encharcamento, impacta fortemente nos rios, contaminando-os.

Agrolink, 02/09/2013

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