Produção de grãos no Centro Oeste caminha bem
A Expedição Safra, feita em parceria com a Gazeta do Povo, em seu roteiro pelo Centro-Oeste do Brasil, visitou o IMEA e a Aprosoja em Cuiabá. Ambas as entidades destacaram a expectativa de uma redução de área para a “safrinha” de milho em Mato Grosso e algum “desinvestimento” nas lavouras, em decorrência das incertezas atreladas ao plantio do cereal. Com o atraso do plantio da soja, a janela do plantio eficiente do milho acaba ficando apertada e parte das lavouras pode acabar sendo plantada fora do período ideal, o que acarreta incertezas em relação ao investimento. O produtor considera que não vale tanto a pena intensificar a tecnologia na lavoura se o plantio ocorre com atraso, porque não se espera conseguir o rendimento equivalente daquela tecnologia, então muitos optam por reduzir a intensidade tecnológica.
O IMEA espera um rendimento médio da soja em Mato Grosso em torno de 50 sacas por hectare na safra 2014/15, considerando o atraso no plantio e alguma necessidade de replantio. Entretanto, o replantio não foi uma regra para o estado, nem para a região Centro Oeste como um todo. Destaca-se que há diferenças de produtividade entre as regiões de Mato Grosso. Em Sorriso ou Lucas do Rio Verde, os produtores são mais tecnificados do que a média nacional, conseguindo rendimentos consideravelmente acima daquilo que é considerado como a média do estado. Eles acabam chegando a 65 sacas por hectare, mais ou menos, com um padrão tecnológico muito avançado.
Em relação às aquisições para de fertilizantes para a “safrinha” de milho no Centro Oeste, a indústria reporta um grande atraso do interesse do agricultor em realizar novas aquisições, situação que não se repete em Sorriso e Lucas do Rio Verde, onde o grau tecnológico é muito alto e já tem produtor com os insumos para a safra de soja 2015/16 e para a safrinha de milho 2015/16 já adquiridos. Já em vários outras regiões do estado, a compra de fertilizantes para a safrinha deste ano, que vai ser a plantada logo após a colheita da soja no Mato Grosso, está bem mais atrasada/parada.
Saindo de Cuiabá, a Expedição Safra foi em direção a Jataí, em Goiás. Ao longo desse caminho, há uma região de serra, onde se planta semente, devido às condições adequadas, como temperaturas mais amenas. Nesta área, o produtor também não reduziu seu investimento em fertilizantes nem para a safra principal de grãos, nem para a “safrinha”. Quando se fala em produção de sementes, a tecnologia precisa ser bastante intensiva.
Em Jataí, observou-se que, apesar de Goiás apresentar retração na área plantada de milho neste ano e na intenção de plantio da “safrinha”, a redução deve ser leve. Ademais, tanto em Jataí, quando na região de Rio Verde, notou-se que a intensidade tecnológica utilizada nas lavouras está boa. Tem havido aquisição de fertilizantes, com os ânimos mais positivos, após a recuperação dos preços do milho.
Assim a percepção geral que esse roteiro da Expedição Safra deixa é de que, apesar da heterogeneidade observada, a produção de grãos no Centro Oeste caminha muito bem.
Ana Luiza Lodi, 19/12/2014



