Produtor precisou de mais soja para comprar adubos
No mercado interno brasileiro, os preços dos fertilizantes com base em fosfato e potássio registraram alta significativa ao longo de 2014 em função da valorização do dólar frente ao real e do reajuste desses produtos no mercado internacional, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/Usp. A maior parte dos adubos usados no país é importada – mais de 70% da demanda doméstica é abastecida por importações.
O cloreto de potássio teve alta superior a 20% em dezembro de 2014 ante o mesmo mês de 2013, para R$ 1.300 a tonelada, segundo Victor Ikeda, analista de mercado do Cepea. O MAP (fosfato monoamônico) também ficou em torno de 20% mais caro, na mesma comparação, para R$ 1.600 a tonelada.
No caso dos adubos nitrogenados, como a ureia e o nitrato de amônio, as valorizações foram menores, em torno de 5% e 10%, respectivamente. Além da queda nos preços das matérias-primas desses produtos – petróleo e gás natural-, também pesou nas cotações a perspectiva de área maior no Brasil para a soja na safra 2014/15. A soja é uma cultura que quase não demanda adubos nitrogenados, diferentemente do milho, explica Ikeda.
Além disso, a possibilidade de redução de área de milho também na segunda safra e menos investimentos em adubação de cana-de-açúcar contribuíram para a menor valorização dos preços desses adubos.
Com a valorização dos preços dos fertilizantes e redução das cotações da soja no mercado interno, a relação de troca da oleaginosa por adubo piorou em dezembro do ano passado ante o mesmo mês de 2013. Para adquirir uma tonelada de cloreto de potássio no Cerrado (região Centro-Oeste e Maranhão e Bahia), foram necessárias 24,7 sacas de 60 quilos de soja, ante 18,5 sacas em dezembro de 2013, conforme o Cepea. Já no caso do MAP, essa relação ficou em 29,8 sacas, ante 22,3 sacas em dezembro de 2013.
Em adubos nitrogenados, a relação de troca de milho do Cerrado por ureia ficou mais favorável em dezembro de 2014 – 64,2 sacas, ante 70 sacas no mesmo mês de 2013. Diante das incertezas sobre o mercado agrícola, os produtores de Mato Grosso colocaram o pé no freio na antecipação das compras de adubos, diferentemente do que vinham fazendo nos últimos anos.
No fim de 2014, praticamente não houve aquisições por parte dos produtores mato-grossenses para o plantio da safra de verão deste ano, afirma Ikeda. No mesmo período de 2013, havia relatos de compras de 15% a 20% dos adubos necessários para o cultivo da safra em algumas regiões do Estado. Entretanto, essas compras podem ser feitas no início da colheita da soja, a partir deste mês.
Valor Econômico, 12/01/2015



