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40% sentiram os efeitos

Levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que até junho cerca de 40% dos produtores estaduais não tinham adquirido todos os insumos necessários ao plantio da nova safra de soja , ciclo 2013/14 e por isso foram pegos no contrapé pela alta do dólar – moeda que baliza as negociações do segmento – iniciada no final de maio. Para esses sojicultores, independentemente da costumeira elevação anual dos principais insumos que por si só torna o custeio da safra seguinte mais cara, eles ainda contabilizarão o adicional da valorização da moeda. E tudo isso ocorre justamente em um momento que o preço internacional à commodity não indica ganho suficiente para anular ou amenizar as despesas da nova safra.

Como aponta o Boletim da Soja divulgado ontem pelo Imea, o dólar no mês de maio teve uma valorização de 5,6%, terminando o mês cotado a R$ 2,25. “Essa valorização impactou diretamente nos preços da soja e dos produtos necessários para a sua produção”, frisam os analistas.

Conforme o levantamento, o custo com defensivos teve aumento de 5,6% para os tratos das variedades de soja livre de transgenia, enquanto para as transgênicas o aumento foi de 3,9%. O custo com fertilizantes aumentou em torno de 4,5%. Já o custo com as sementes geneticamente modificadas apresentou queda de 4,4% (provavelmente devido à liberação da semeadura da Intacta RR2), movimento oposto ao observado nas sementes livres da transgenia, que indicaram alta de 1,2% em relação ao mês anterior.

Com isso, o custo operacional ficou superior em 3,9% para a soja convencional e 2,7% para soja geneticamente modificada (GMO), em relação ao mês anterior. O custo total para soja convencional ficou em R$ 2.406,18, aumento de 4,6%. Para a geneticamente modificada o custo total ficou em R$ 2.408,87, alta de 3,8%.

Nesse mesmo período a cotação média da soja em Chicago com vencimento para março de 2014 teve queda de 4,1%, enquanto a soja paridade para o mesmo mês em Mato Grosso teve queda de apenas 1,1%. A menor queda nas cotações paridade se deve à elevação do dólar, que minimizou as quedas nesse período. “Desta forma, para os 40% dos produtores que ainda não tinham fechado o custo de produção antes de junho, seus custos ficaram maiores, já os que estavam com seu custo de produção fechado sentiram apenas o reflexo bom da elevação da moeda norte-americana que acaba influenciando positivamente na soja disponível à comercialização quanto para o produto negociado no mercado futuro”.

COTAÇÕES – Os preços negociados para o contrato futuro de soja, com entrega para fevereiro de 2014, apresentaram média de R$ 45,11 em Mato Grosso durante a semana passada, com preço médio máximo de R$ 46,46 e mínimo de R$ 44,16. Primavera do Leste é o município do Estado que apresenta os maiores preços pagos por saca de soja, que foram de até R$ 49,50 durante a semana e fecharam a R$ 48,79. Lucas do Rio Verde apresentou preço máximo de R$ 44,10 e fechou a semana a R$ 43,11 no contrato futuro. O valor negociado para a saca de soja com entrega para fevereiro/14 apresentou quedas na quarta e quinta-feira, acompanhando a Bolsa de Chicago e a desvalorização do dólar, que foi de 1,26%. Houve recuperação do dólar e alta significativa em Chicago no final da semana, que recuperaram um pouco os preços.

O Boletim chama à atenção para os Estados Unidos. “Com um desenvolvimento bom nas lavouras norte-americanas, e previsão de clima úmido com temperaturas relativamente altas, o mercado está menos otimista e retraiu seus aumentos. Por outro lado, a demanda aquecida, com estoques relativamente baixos, não deixa os preços declinarem muito. Nas próximas semanas parte da produção dos EUA deve ser definida, devendo impactar nos preços em Chicago e no mundo”.

Em consequência do atraso na semeadura, o florescimento da soja mostra-se atrasado em relação à média dos últimos cinco anos. Segundo os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda, sigla em inglês), cerca de 26% da soja está em fase de florescimento. No ano passado esse índice já era de 40%, e as lavouras já estavam sofrendo com a seca. Neste ano a situação é diferente, por mais que algumas lavouras se mostrem com desenvolvimento inferior, a grande maioria está com desenvolvimento bom e excelente. As lavouras nos EUA entram na sua fase mais crítica definindo boa parte da sua produção. “Desta forma é de suma importância para os produtores mato-grossenses o acompanhamento das lavouras dos EUA com maior cuidado e atenção, visto que os próximos 20-30 dias podem definir a tendência dos preços para a soja mato-grossense na safra 13/14”, recomendam os analistas.

Diário de Cuiabá, 22/07/2013

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