Agricultores conhecem práticas sustentáveis para o cultivo de feijão em Araruama (RJ)
Com o objetivo de difundir técnicas agrícolas baseadas no processo de fixação biológica de nitrogênio e voltadas à agricultura familiar, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), unidade Agrobiologia , realiza, no próximo sábado (29), um dia de campo no município de Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, litoral norte fluminense, para agricultores da comunidade de Tapinoã, técnicos agrícolas e estudantes.
No evento, os pesquisadores e técnicos da Embrapa vão apresentar práticas que contribuem para uma agricultura mais sustentável e que têm como ênfase o processo de fixação biológica de nitrogênio, como, por exemplo, o uso de inoculante à base de bactérias do gênero rizóbio e a técnica da adubação verde com leguminosas.
Divido em quatro estações, o dia de campo pretende ainda apresentar e discutir com a comunidade a importância das sementes crioulas (sementes de variedades locais, mais rústicas, mais adaptadas às condições locais e geralmente menos exigentes em nutrientes), para a agrobiodiversidade e também para sustentabilidade econômica da atividade agrícola local.
Desde 2012, a Empresa Brasileira de Extensão Rural do Rio de Janeiro (Emater/Rio) e a Empresa de Pesquisa Agropercuária do Rio de Janeiro (Pesagro/Rio) desenvolvem o projeto Plantio de feijão agroecológico junto a famílias de agricultores da região, que tem incentivado a multiplicação de sementes crioulas e até mesmo a troca entre produtores de diferentes comunidades do estado do Rio de Janeiro, por meio de feiras e intercâmbios.
A bióloga e extensionista social da Emater-Rio, Vera Câmara, destaca que há cerca de 20 anos o feijão ocupava importante lugar entre as principais culturas da agricultura familiar da região, mas esse quadro foi se modificando. O trabalho junto à comunidade de Tapinoã (RJ) possibilitou o resgate de sementes e a criação de um banco de sementes crioulas de feijão. “A experiência do passado de plantar o feijão e guardar as sementes praticamente havia desaparecido na comunidade”, ressalta Vera.
O resgate desses materiais tem possibilitado aos pesquisadores da Embrapa a avaliação de diferentes cultivares utilizadas por agricultores no Rio de Janeiro quanto à produtividade, à adaptação ao clima e ao solo fluminenses e também quanto à resposta frente ao processo de fixação biológica de nitrogênio. Segundo a pesquisadora Rosângela Straliotto, a Embrapa vem buscando aumentar a prática da inoculação com rizóbio na cultura do feijoeiro comum.
Essa técnica substitui a adubação com fertilizantes nitrogenados, o que torna a produção mais barata e beneficia também o meio ambiente. “A bactéria forma nódulos na raiz da planta, de forma a absorver o nitrogênio do ar e transferi-lo à planta. Dessa maneira, não é necessária sua aplicação no solo. Os adubos nitrogenados são extremamente caros. Além disso, o nitrogênio aplicado é um dos maiores fatores de poluição ambiental. Com a chuva, ele pode atingir e contaminar rios e lençóis de água”, explica a pesquisadora.
Embrapa, 28/06/2013



