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Câmbio menor favorece compra de insumos mas prejudica vendas de soja

Aquisição de fertilizantes, defensivos e sementes estão atrasadas no Mato Grosso por indefinição no comportamento do câmbio; até o momento, safra 2016/2017 está 11% mais cara para o produtor.

A instabilidade política tem sido a principal mentora do fluxo cambial. A cotação do dólar, que superou R$ 4 em janeiro, hoje transita em torno de R$ 3,60, puxa para baixo os preços dos insumos agrícolas, mas também reduz a rentabilidade do produtor de soja, em moeda nacional.

“Enquanto não houver uma definição do cenário, ficará difícil fazer um planejamento seguro para a próxima safra. No ano passado, entre fevereiro e março, as compras de fertilizantes, defensivos e sementes já estavam em andamento. Agora, este processo está incerto e mais lento”, conta o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Endrigo Dalcin.

 

Despesas

A estimativa mais recente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em fevereiro deste ano, aponta para um total de R$ 2.177,61 por hectare nas despesas de custeio da lavoura para a safra 2016/ 2017, montante 11% superior aos R$ 1.958,21 gastos no ciclo atual para o cultivo da oleaginosa. Além dos adubos, agroquímicos e sementes, a análise considera o desembolso com operação das máquinas e mão de obra. Assistência técnica, logística, armazenagem e impostos colaboram para um incremento estimado em R$ 456,39 nos custos de produção.

Apesar do aumento claro nas despesas, Dalcin destaca que o impacto vai depender do fluxo de compras de cada agricultor. “Os preços em dólar de fertilizante estão em baixa, por exemplo. Se o produtor conseguir pegar o pré-custeio e fazer essa compra agora, estamos indicando”, sugere.

Segundo o executivo, cerca de 59% do desembolso para a safra são dolarizados. Neste contexto, o diretor de inteligência de mercado Tadeu Silva, diz que o agricultor que conseguiu travar suas vendas com o câmbio a R$ 4,10, tem a chance de adquirir seus insumos a R$ 3,60.

Na semana passada, o mercado já contava com a aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, que, de fato, aconteceu. Com isso, a cotação do dólar registrou uma desvalorização acumulada de 4,17%.

 

Comercialização

Em reflexo ao desempenho da moeda americana, o preço futuro para exportação de soja mato-grossense caiu 1,38%, com base em março de 2017. Na mesma linha, a relação entre o valor do grão e seus subprodutos também baixou, 1,20% na semana. Em contrapartida, no mesmo período, os contratos da commodity na Bolsa de Chicago subiram mais de 3% pautados por especulações e chuvas na Argentina. “A partir de meados de março nota-se que a movimentação do preço da soja em Mato Grosso descolou-se do mercado. Com o preço reduzido no estado e abaixo da paridade disponível, muitos produtores vêm diminuindo seu apetite de venda”, avaliam os especialistas do Imea.

Para o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a desvalorização do dólar frente a várias moedas atrai importadores aos Estados Unidos, o que desfavorece as vendas brasileiras.

“Não estamos vendendo. A incerteza com relação ao câmbio é realmente muito grande”, enfatiza o presidente da Aprosoja. O fim da colheita da oleaginosa, que chegou a 90% da área nacional, aumenta as preocupações sobre os planos para a próxima safra.

 

DCI, 19/04/2016

 

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