Culturas

Custo alto, preço baixo

Mais do que nunca, planejar e barganhar serão palavras de ordem para quem já está desenhando a nova safra de soja 2014/15, que começa a ser cultivada, em Mato Grosso, a partir da segunda quinzena de setembro. A falta de atenção na hora de comprar os insumos e travar preços da saca para entrega futura pode inviabilizar o novo ciclo, e a conta receita versus despesas, não fechar. O alerta para os cuidados pré-safra foi emitido ontem pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O Boletim da Soja chama à atenção dos mato-grossenses para a pressão que os altos custos dos insumos vão exercer sobre as margens de lucro na nova safra. 

Conforme o Imea, a expectativa inicial para o custo de produção da nova safra de soja apresenta um cenário de despesas elevadas para o próximo ciclo. Atualmente, o preço à vista do grão praticado próximo a R$ 57/sc no Estado garantiria uma relação de troca de 25,5 sc/ha para cobrir as despesas com os insumos. Ou seja, os insumos básicos como sementes, fertilizantes e defensivos, vão consumir – dentro dessa cotação – cerca de 25,5 sacas de soja por hectare para se plantar. 

Mas como neste momento já se projetam as vendas futuras, o Imea faz outra conta considerando a o preço de paridade para março de 2015. Nessa relação de troca, há maior necessidade de sacas para cobrir um hectare: 32,3 sc/ha para cobrir os custos com os insumos, ao invés de 25,5 sacas quando se pondera o preço atual. “Apesar de o preço de paridade estar inferior ao preço à vista, este se apresenta maior que a paridade de março/14 no mesmo momento do ano passado”. 

Como a expectativa do Imea é que o Estado apresente uma produtividade de 52,5 sc/ha para o próximo ciclo, a relação de troca dos insumos consumiria 49% da produtividade para as vendas ao preço à vista e de 61% para o preço de paridade. Ou seja, no atual patamar dos preços futuros o produtor ao travar a venda antecipada, estaria comprometendo mais de 60% da produtividade esperada para poder plantar. 

Conforme o Imea o custo de produção da soja para a o novo ciclo é projetado inicialmente, em um desembolso total de R$ 2.452,70/há para a soja transgênica e de R$ 2.437,78/há para a variedade convencional. A despesa com os insumos (sementes, fertilizantes e defensivos) participará com mais da metade do total gasto na produção da oleaginosa, tanto na transgênica como na convencional, com a participação de 60% do total gasto com a produção. “Se for considerado o custo de produção da safra 2014/15 com a produtividade aguardada em 52,5 sc/ha para o próximo ciclo, o produtor terá um custo de produção de R$ 46,72 por uma saca. 

“Atualmente, a cotação da soja disponível gira em torno de R$ 56,35/sc, ou seja, o suficiente para cobrir o custo de produção e ainda gerar cerca de R$ 10/sc de margem de lucro. Porém, se formos considerar o preço paridade para março de 2015, que apresenta média para maio próximo a R$ R$ 45,37/sc, este se apresenta abaixo do que o produtor precisaria gastar para cobrir o custo de produção, podendo indicar uma redução na margem de lucro da próxima safra caso este cenário não se altere. Entretanto, a expectativa para a temporada 2014/15 não é muito animadora para as cotações, visto que a oferta será abundante, tanto internamente como no mercado externo”. 

OFERTA E DEMANDA – As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) para a safra 2014/15 trazem os maiores volumes de consumo e estoques finais de soja da história, destacam os analistas do Imea. Com estes dados, a relação estoque/consumo mundial para a próxima safra será de 29%, 4 pontos percentuais (p.p.) superior à mesma relação para a safra 13/14, que é de 25%. A elevação deste percentual para o próximo ciclo ocorre em virtude de estimativas de crescimento dos estoques finais acima da elevação do consumo. Os estoques estão sendo projetados para se elevar em 15,2 milhões de toneladas ante a safra 13/14, enquanto o consumo foi elevado em apenas 10,7 milhões de toneladas no mesmo comparativo. Desta maneira, os preços da oleaginosa no mercado internacional para a próxima safra podem sofrer influências negativas pela elevação superior da oferta em relação à demanda da oleaginosa. 

Diário de Cuiabá, 27/05/2014

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