Preço dos fertilizantes preocupa produtores de trigo, cevada, canola e aveia
Elevação do dólar segue influenciando no custo da safra, principalmente na de inverno, que começa a ser plantada em maio. Nitrogênio, cloreto de potássio e fosfato são substâncias que compõem os fertilizantes. 70% delas vêm de fora e preços dependem da moeda americana
O plantio da safra de inverno, que inclui trigo, cevada, canola e aveia na região dos Campos Gerais deve começar só no final de maio nos municípios de Arapoti, Sengés e Tibagi, estendendo-se para as outras cidades até julho.
Apesar disso, muitos produtores, principalmente de trigo, já estão preocupados. E não é porque a safra é conhecida como de risco devido à instabilidade climática desta época do ano. Mas sim, por conta da alta do dólar que vem impactando diretamente no valor dos fertilizantes.
Um desses produtores é Edilson Gorte, que também responde como vice-presidente da Sociedade Rural dos Campos Gerais. “Eu sempre comprava antecipado os fertilizantes. Esse ano deixei para a última hora e agora estou enfrentando as altas no valor dos produtos”, comenta.
Segundo Gorte, esse cenário, associado à alta no custo do diesel, vai influenciar diretamente no custo de produção do trigo. “Isso pode fazer com que o cultivo não se torne atraente financeiramente”, completa.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) de Ponta Grossa – que atende 18 municípios da região – a previsão é de redução na área plantada de trigo.
“No ano passado a safra saltou de 170 mil hectares plantados para 200 mil. O cultivo de trigo se apresentava bem vantajoso. No entanto, na safra atual, deve haver uma redução. A nossa expectativa é de que sejam plantados 185 mil hectares”, afirmou o economista Luiz Alberto Vantroba.
Mesmo assim, a produtividade deve se manter estável. “Nossa região produz muito bem. Os agricultores possuem um bom nível tecnológico”, pontua Vantroba.
Em relação ao preço da saca, o mercado vem reagindo segundo Vantroba. “Em janeiro a saca era comercializada a R$ 33. Agora [em abril] o preço já chega a R$ 42”, compara.
Jornal da Manhã, 11/04/2015



