Preço recorde e alta do dólar encarecem o custo da safra verão
A cotação da soja na quarta-feira (04) alcançou R$ 62,50. O preço recorde anima produtores que ainda possuem estoque para venda, porém, aliado à alta do dólar, já resulta em reflexos para a próxima safra. Os insumos tiveram reajustes e o custo da safra de verão será maior.
Segundo o agricultor da linha Mandarina de Toledo, Gerson Luiz Zillmer, para os produtores o preço muito elevado da soja neste momento não é muito benéfico. “Porque a maioria dos produtores já comercializou a soja e não pegou este preço tão elevado e a consequência será o aumento nos custo da safra verão”, pontua.
O agricultor revela que com o plantio da safra o produtor corre o risco de ter custo alto e no momento da venda o preço da soja diminuir. “Para quem não tem mais soja para venda é preocupante”, afirma. O produtor deve plantar 85 hectares de soja na segunda quinzena de outubro.
“Vendi minha soja para comprar insumos. Antecipei prevendo que haverá mais alta dos produtos”, revela. Zillmer salienta que principalmente os fertilizantes, adubos e sementes já apresentaram reajuste de preço. “Na semente que eu comprei este ano paguei R$ 2,50 o quilo, ano passado custava R$ 1,65, um aumento de 50%”, exemplifica.
VENDAS
Assim como este produtor, a maioria dos agricultores se antecipou. Segundo o engenheiro agrônomo de uma cooperativa da região, Lucas Gouveia Vilela Esperandino, de 85% a 90% dos cooperados já adquiriram os insumos. “Isto porque até o final do ano há uma expectativa de mais alta, de 5% a 10%”, explica.
O técnico revela que com relação ao ano passado o custo efetivo da safra de verão de soja teve alta de 5,5% e a de milho de 10%. “O maior reajuste foi na linha de fertilizantes, que variou de 8% a 16%”, detalha ao explicar que os insumos ficaram mais caros pela própria valorização da soja e também porque a maioria da matéria prima é importada.
Porém, o profissional pontua que a alta da soja é considerada positiva para as vendas antecipadas. “O produtor terá o custo de 33 sacas por alqueire, mas já está conseguindo negociar o grão a R$ 54,00”, reforça ao detalhar que a produtividade esperada é de 140 sacas por alqueire – dependendo de condições ideais – sobrando assim 106 sacas a um preço bom para o produtor.
PLANTIO
As altas cotações da oleaginosa podem resultar também em um aumento na área plantada, porém, nada significativo já que na região a maior parte dos campos já é ocupada pela soja no verão. Segundo a técnica do Departamento de Economia Rural (Deral), Jean Marie Ferrarine, ano passado foram cultivados 445 mil hectares de soja e 33 mil de milho.
“Para este ano pode diminuir ainda mais a área de milho, pois na safra de 2010 era menor, mas aumentou devido ao preço do produto no ano passado”, explica ao pontuar que também é esperada uma produção maior, já que a safra passada teve quebra de 56% gerando uma produção de apenas 643 mil toneladas.
CAUTELA
Para a economista e professora do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócio da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Miriam Beatriz Schneider Braun, o setor vive um contexto de crise e é perigoso fazer projeções.
“No mercado internacional as comodities estão caindo, inclusive a soja, o saldo da balança comercial foi o pior dos últimos 10 anos, com uma redução de 80% no mesmo período do ano passado”, exemplifica ao citar que os governos devem tomar medidas, mas é delicada situação do preço da soja a partir de agora.
Jornal do Oeste, 05/07/2012



