Uso inadequado coloca em risco ganhos com a FBN em soja
As práticas inadequadas no uso de inoculantes para a fixação biológica de nitrogênio (FBN) na cultura da soja colocam em risco os ganhos obtidos com a tecnologia. Esse foi o alerta feito por pesquisadores durante o VI Congresso Brasileiro de Soja, que está sendo realizado em Cuiabá.
Durante o painel “Nitrogênio na soja: um novo paradigma”, discutiu-se como as adoção de práticas inadequadas como subdosagem de inoculantes, mistura do produto com fungicidas e inseticidas incompatíveis com o rhizobium, aplicação incorreta, entre outras, podem colocar em risco a produção e a economia gerada pela FBN, uma vez que acabam levando o produtor a utilizar fertilizantes com nitrogênio.
“Grande parte da competitividade da soja brasileira está na fixação de nitrogênio. Esta tecnologia consegue suprir as necessidades da soja. Com o tempo, se a gente parar de fazer isto e acrescentar o custo do fertilizante nitrogenado, certamente este nosso quadro de competitividade vai piorar e podemos perder as vantagens que temos hoje devido à economia estimada em US$ 7 bilhões por ano gerada pela fixação biológica de nitrogênio”, afirma a pesquisadora da Embrapa Soja, Mariangela Hungria.
Mariangela ainda alerta para a ineficácia de alguns produtos vendidos no mercado, como as sementes pré-inoculadas com 40 a 50 dias. Segundo ela, análises feitas provaram que no momento do plantio já não sobram células vivas capazes de se associarem com a planta para fixarem o nitrogênio.
A técnica de inoculação também foi tema das discussões realizadas no painel, uma vez que é preciso cuidado para não perder a eficácia do produto. Entre as técnicas preconizadas no evento está a inoculação no sulco.
“Esta é uma técnica já conhecida há dez anos e que deve ser considerada pelos produtores devido aos seus benefícios, evitando problemas como o contato com fungicidas. Além disso, já existem máquinas que fazem bem esta inoculação”, disse Solon Cordeiro de Araújo, consultor da Associação Nacional de Produtores e Importadores de Inoculantes.
Transferência de tecnologia
Outro problema que entrou na pauta das discussões é o desconhecimento por parte dos produtores das boas práticas de inoculação e da tecnologia como um todo.
“Este é um grande gargalo. Há uma falta de informação dos agricultores. Eles estão errando muito por falta de acesso à informação adequada. Infelizmente a assistência técnica vem sendo dada pela iniciativa privada e pelos próprios vendedores”, disse a pesquisadora Mariangela Hungria.
Para Solon Cordeiro de Araújo, esta transferência de tecnologia é fundamental para o melhor aproveitamento da fixação biológica de nitrogênio. Além disso, ele elenca outros desafios para a pesquisa na área, como a busca contínua por estirpes mais eficientes e competitivas, aumento da eficiência do sistema, ampliação da faixa temporal da FBN, co-inoculação e o desenvolvimento de novas formas de inoculação.
O VI Congresso Brasileiro de Soja é promovido e realizado pela Embrapa Soja, com corealização da Aprosoja, e termina nesta quinta-feira. Se inscreveram no evento 2 mil pessoas entre pesquisadores, professores, estudantes, produtores e profissionais ligados ao complexo produtivo da soja. Mais informações no site www.cbsoja.com.br.
Agro notícias, 14/06/2012



