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Como o acordo entre EUA e Irã afeta o mercado de fertilizantes 

Irã e Estados Unidos se posicionaram no último domingo sobre o acordo que deve ser formalizado nesta sexta-feira (19), estabelecendo os primeiros passos para a reabertura do Estreito de Ormuz. Apesar do avanço, um acordo definitivo ainda precisará ser negociado ao longo de um período de 60 dias após a assinatura do memorando de entendimento. 

O conflito elevou em aproximadamente 65% as cotações internacionais da ureia em abril e em 21% os preços do MAP até o momento. A produção de fosfatados e ureia também foi prejudicada pela menor disponibilidade e pelo encarecimento do enxofre e do gás natural, insumos centrais para a fabricação desses fertilizantes. Marrocos e China, dois grandes exportadores de fosfatados, dependem de importações de enxofre para sustentar sua produção. 

Para a ureia, a retomada do fluxo marítimo pelo Estreito de Ormuz permitiria a liberação imediata de cerca de 800 mil toneladas atualmente retidas em navios na região, segundo a Associação Internacional de Fertilizantes (IFA). A reabertura também restabeleceria uma rota responsável por cerca de 30% das exportações globais do produto e contribuiria para a normalização do abastecimento de GNL, reduzindo limitações energéticas que afetaram produtores asiáticos. 

No caso do MAP, os impactos tendem a ser mais graduais. Embora o Estreito de Ormuz responda por aproximadamente 25% das exportações globais do produto, o principal desafio permanece na disponibilidade de matérias-primas. Cerca de 50% das exportações mundiais de enxofre e 20% das de amônia têm origem na região, tornando sua normalização fundamental para a recuperação da oferta de fosfatados. 

Desde o início do conflito, o enxofre acumulou alta superior a 140%, enquanto a amônia avançou cerca de 26%. A reabertura da rota marítima deve melhorar gradualmente a disponibilidade desses insumos e favorecer a acomodação dos preços nos próximos meses. Ainda assim, o processo dependerá da retomada das negociações comerciais, da normalização logística, da recomposição de estoques e da recuperação da capacidade produtiva interrompida durante o conflito. 

Com a reabertura do estreito, as exportações de fertilizantes devem subir rapidamente, impulsionadas pela demanda represada. No médio prazo, a produção e as exportações de fertilizantes na região do Golfo Pérsico tendem a se recuperar de forma relevante, já que os danos diretos às unidades produtivas foram limitados.

GlobalFert 18/06/2026 

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