Produtor corta custos, mas Yara vê espaço para biológicos com ganho de eficiência

Em um momento de aperto de margens e aumento na restrição de crédito para o produtor, a norueguesa Yara aposta nos bioinsumos. Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia, reconhece que o desafio principal é convencer o agricultor da importância desses produtos, especialmente num cenário em que o orçamento está mais restrito.
“Para ele [o agricultor] plantar, ele precisa de semente, ele precisa de fertilizante, ele precisa de defensivo. Não necessariamente, no entendimento do agricultor, ele precisa de um bioestimulante, né? Hoje não temos um conceito de essencialidade [de biológicos] pela agricultura. A gente precisa gerar esse entendimento de essencialidade por parte dele. Isso requer um investimento em geração de demanda muito grande”, afirmou Schmitz. “O agricultor vai cortar aquilo que ele entende que não é tão essencial”, disse.
No entanto, o executivo opina que parte do trabalho de apresentar os produtos biológicos ao produtor é o de oferecer uma percepção de valor, com a possibilidade de o investimento gerar ganhos de produtividade e, consequentemente, de rentabilidade.
Mesmo assim, a expectativa é de crescimento. Schmitz diz acreditar que, apesar da retração na rentabilidade, o mercado seguirá em expansão. “Talvez ele não vá crescer a taxas como a gente viu em outros anos, crescendo até 30%, 35%. Mas ainda vai ver em dois dígitos esse crescimento, mesmo em anos mais desafiadores de rentabilidade”.
A expectativa é de crescimento entre 10% e 20% neste ano. Em um ano com aumento dos preços de fertilizantes, Schmitz avalia que os produtos biológicos podem atuar em sinergia para um “uso mais racional e consciente” de adubos.
“Os bioinsumos, de modo geral, otimizam a parte de melhor eficiência de nutrição, então a gente consegue ter um uso mais eficiente dos nutrientes”, explicou. Em algumas situações, disse, é possível até recomendar o uso de menor volume de fertilizante, sem comprometer o desempenho agronômico, ao melhorar a absorção dos nutrientes já presentes no solo.
Globo Rural, adaptado GlobalFert, 05/09/2025.



