Retomada da importação do fosfato marroquino nos EUA em meio à crise de suprimentos

Diante de uma ameaça iminente à segurança alimentar e agrícola nacional, o governo de Donald Trump declarou estado de emergência para suspender temporariamente, por até oito meses, as tarifas sobre a importação de fertilizantes fosfatados do Marrocos.
A medida emergencial foi motivada pela incapacidade da produção doméstica dos EUA em atender à demanda interna e por severos gargalos geopolíticos globais, incluindo o fechamento do Estreito de Ormuz, que estrangulou o fornecimento vindo do Oriente Médio justamente antes do período crítico de fertilização do solo americano.
Essa decisão reverte temporariamente um cenário drástico desenhado por barreiras alfandegárias anteriores, que haviam afastado o Marrocos do mercado americano.
Dados da Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC) mostram que as taxas geraram um severo desvio de comércio: as importações de fosfato monoamônico (MAP) marroquino haviam despencado 77,6%, enquanto as de fosfato diamônico (DAP) foram a zero, forçando os compradores dos EUA a buscarem rotas alternativas para manter o nível de abastecimento.
A reabertura de mercado coincide com a recuperação operacional da estatal marroquina OCP, que controla quase 70% das reservas mundiais conhecidas de rocha fosfática e está expandindo sua produção, com foco inicial no superfosfato triplo (TSP).
Embora a medida abra caminho para o Marrocos recuperar seu volume histórico de vendas, o prazo estrito de oito meses sinaliza que se trata de um plano de contingência temporário, e não de uma mudança estrutural na política comercial, o que deve fazer com que importadores e fornecedores ajam com cautela.
Governo dos Estados Unidos, adaptado GlobalFert, 03/07/2026



