Novas Tecnologias

Projeto melhora a eficiência dos fertilizantes

O Instituto de Recursos Naturais e Agrobiologia de Salamanca (IRNASA, centro do CSIC), a Universidade de Salamanca e a Universidade de León estão a ponto de concluir um projeto de pesquisa que permitirá melhorar a eficiência dos fertilizantes. A iniciativa, coordenada pela empresa Fertiberia, busca desenhar novos produtos e tem como objetivo melhorar a eficiência do nitrogênio e do fósforo para que sejam melhor aproveitados pelos cultivos respeitando o meioambiente.

Álvaro Peix Geldart, pesquisador do IRNASA, explica, em declarações à DiCYT, que o nitrogênio e o fósforo são “essenciais para a agricultura”, contudo uma porcentagem importante destes elementos são perdidos, de forma que as plantas não os aproveitam e são dispersos ao redor, podendo originar efeitos negativos no meio ambiente.

Por exemplo, no caso do nitrogênio, acontecem perdas importantes por lixiviação, sobretudo em forma de nitratos que podem acabar em aquíferos. Quando se incorpora em abonos amoniacais e baseados em uréia também há perdas por volatilização. Mesmo assim, são produzidas emissões em forma de óxido de nitrogênio na atmosfera, principalmente por desnitrificação. No caso do fósforo, uma porcentagem muio alta é retida pelo solo e não está disponível para as plantas.

Por isso, o projeto pretende desenhar “fertilizantes de alto valor agregado eficientes e não contaminantes”. Evitar a perda de nutrientes que contaminam não somente é bom para o meio ambiente, como também para o agricultor, que pode economizar dinheiro.

Para enfrentar este desafio, os cientistas fixaram-se em como os microorganismos interagem com os fertilizantes nos solos e com as plantas. “Analisamos a influência de determinados microorganismos nas transformações de nitrogênio no solo, podendo modificar suas populações por meio da tecnologia microbiana para minimizar as perdas destes nutrientes e aumentar seu aproveitamento por parte das plantas”, assinala o pesquisador do IRNASA. No caso do fósforo, são empregados microorganismos solubilizadores de fosfato que intervêm na mobilização do fertilizante para as plantas. O trabalho também inclui m icroorganismos promotores de crescimento vegetal.

A iniciativa, que teve início em 2011 como um projeto INNPACTO, tem como novidade o uso de microorganismos junto ao de fertilizantes minerais para melhorar a eficiência dos mesmos respeitando o meio ambiente. “Reunimos tipos distintos de fundamentos científicos para buscar melhores produtos. Tradicionalmente emprega-se a fertilização mineral ou, pelocontrário, estratégias biológicas baseadas em extratos naturais ou microorganismos promotores de crescimento vegetal, mas podem-se combinar as duas estratégias para conseguir nossos objetivos”, assegura Álvaro Peix.

DICYT, 20/05/2014

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