Culturas

Incertezas na lavoura impactam o mercado de café e renda do produtor

Após quebras de até 20% nas lavouras de café por conta da seca que atingiu a região Sudeste no início do ano, o setor novamente é afetado pela falta de chuvas que tem restringido os negócios para a safra 2015/ 2016 e gerado incertezas sobre os volumes deste e do próximo período produtivo, acarretando redução no faturamento dos produtores.

O presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Carlos Alberto Paulino, lembra que não é possível generalizar, mas, de fato, as regiões prejudicadas pela estiagem tiveram danos que nem mesmo a alta nos preços será suficiente para recuperar.

Rentabilidade

“Onde a seca foi mais severa, a produtividade caiu e o custo de produção subiu muito, considerando que mão de obra, fertilizantes e maquinário estão inflacionados e naturalmente caros. Nesses municípios, nenhuma recupera- ção de preço paga o prejuízo”, diz Paulino.

Uma análise divulgada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostra que algumas das principais regiões produtoras de Minas Gerais tiveram aumento nos custos de produção superiores a 27% – Guaxupé foi uma delas. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as cafeiculturas mineira, paulista e capixaba respondem por 90,4% da receita do setor.

“A principal justificativa para os impactos das adversidades climáticas no custo de produção está relacionada à quebra maior na renda do café e não na carga produtiva, conforme apontado pela Conab”, avalia a confederação.

Em contrapartida, a parcela de agricultores que foi menos afetada pela seca, conseguiu manter a produtividade e tende a aproveitar o otimismo de preço da commodity, que chegou a bater R$ 511 por saca de 60 quilos no início de outubro. Atualmente, os valores seguem próximos de R$ 450 por saca, mas vale destacar que já houve um tempo em que eram pagos R$ 250 pela mesma quantidade do produto.

“No cerrado mineiro a renda foi muito boa, o efeito da seca não foi igual para todo mundo. Agora é difícil avaliar, mas a partir de dezembro conseguiremos ter uma base melhor do que aconteceu e todos os impactos”, afirma o presidente.

Processo produtivo

No mês de outubro, em geral, os produtores dão início aos tratos com a terra para o plantio que começa em novembro e segue até meados de janeiro. Além disso, o analista do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Renato Garcia Ribeiro, conta que nesta época surge a florada nos cafezais que darão origem aos grãos da próxima safra, fato que ainda não aconteceu em todas as regiões devido à seca.

“A falta de chuvas tem empurrado a florada mais para frente e se você não tem flores, não terá frutos para 2015/2016. Isso gera uma instabilidade muito grande no mercado e expectativas de baixo volume, assim como as projeções para 2014/2015”, explica Ribeiro.

Mercado

A safra 2013/2014 registrou 45,1 milhões de sacas, segundo a Conab. O especialista diz que em dezembro sairá um novo relatório da companhia, mas os números divulgados até agora já foram suficientes para indicar um volume menor nos estoques e refletir nos preços.

“Há uma duvida maior sobre o que pode acontecer daqui para frente. A volta de chuvas nesta semana fez com que a bolsa recuasse um pouco, mas qualquer notícia que faça um contraponto a isso, já puxa o mercado para cima. Enquanto não chover de uma maneira resistente, essas oscilações vão continuar”, explica.

Neste cenário, produtores consultados pelo instituto têm restringido as vendas do grão da temporada 2014/2015, no aguardo de melhor definição do mercado e também de preços mais elevados. Muitos estão à espera de alta nos valores, fundamentados na possível menor produção, fator que também limita os investimentos em insumos para a lavoura no ano que vem.

DCI, 30/10/2014

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