Culturas

Segunda estiagem de 2017 castiga produtores agrícolas de Santa Catarina e impede adubação de cobertura

A situação está ainda mais preocupante em municípios do Planalto Norte, como Canoinhas e Mafra, e do Planalto Sul, como Campos Novos, Joaçaba e nas proximidades de Curitibanos. Nesta época do ano, costuma ocorrer o plantio das lavouras de verão, que incluem milho, soja e feijão, por exemplo. Em função da seca, os agricultores precisaram atrasar parte do plantio do inverno.

No fim de maio e no começo de junho, como explica Alves, os agricultores que plantavam trigo, cebola, alho e fumo pegaram um período de seca. “Isso provocou o desenvolvimento de plantas de porte baixo, bastante amarelecidas e deficientes. E os produtores não conseguiram entrar com adubação de cobertura porque precisavam de chuva”, afirma. Os 30 dias de estiagem, de acordo com a Cepa, prejudicaram aproximadamente 50% da produção estadual. “Depois disso choveu e essas plantas se recuperaram, mas também acabaram pegando a seca de agosto, bem na fase crítica do florescimento”, garante o engenheiro agrônomo.

Alguns agricultores, na primeira ocasião, conseguiram segurar o plantio para o final de julho. Tais lavouras ainda estão em desenvolvimento vegetativo e, se a chuva retornar a Santa Catarina, têm chance de recuperação. Conforme Alves, estima-se que 29% das lavouras de trigo terão redução em produção em relação ao ano passado. “A safra de 2016/2017 foi uma super safra em todas as culturas. As produções desse ano, seguramente, não iam alcançar o que ocorreu no último ano, e com a estiagem está prejudicando ainda mais”, conta Alves. A expectativa é que a produção de trigo seja de 163,4 mil toneladas na próxima safra, contra 229 mil toneladas colhidas na safra anterior. Já a área plantada passou de 69 mil hectares para 50,9 mil hectares este ano.

Para que a situação seja normalizada, como explica o engenheiro agrônomo, é necessário um período de pelos menos 60 dias de chuva regular. “Precisamos de um regime de chuva bastante regular. Não adianta chover uma tromba d’água e depois o sol voltar a rachar”, diz.

Economia de água

Em Florianópolis, há previsão de chuva para este sábado (23). No entanto, como destaca Alves, esse volume de água não chega a ser muito relevante. “Essa chuva ajuda mananciais e rios, e como aqui não é uma região de lavouras não faz muita diferença”, declara.

No fim da tarde desta quinta-feira (21), a Epagri emitiu um aviso hidrológico confirmando alguns locais onde ocorre o regime hídrico extremo: os complexos hidrográficos Jacutinga, Rio Camboriú, Rio Negro e Rio Peperi-Guaçú, além das bacias hidrográficas do Rio Tubarão, Rio Araranguá, Rio do Peixe, Rio do Chapecó, Rio Itajaú-Açú, Rio Canoinhas e Rio Tijucas.

Diante da falta de chuva, a Casan alerta para que a população economize ainda mais a água tratada, evitando a lavagem de calçadas e carros, por exemplo. Técnicos da companhia acreditam que a estiagem é uma das maiores da últimas décadas e, apesar dos investimentos em reservatórios, estações de tratamento, poços e adutoras, é necessário que a população se concientize sobre o uso responsável da água.

 

Notícias do Dia, 21/09/2017

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